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sábado, 5 de junho de 2010

Aspetos Teóricos Metodológicos do Texto Espaço e Método segundo Milton Santos

Universidade Federal de Goiás – UFG Campus Jataí
Programa de Pós-Graduação/ Mestrado em Geografia
Mestranda Iolanda Martins da Silva
Disciplina: Formação do Pensamento Geográfico

Aspetos Teóricos Metodológicos do Texto Espaço e Método segundo Milton Santos


No período histórico que vivenciamos, o espaço geográfico apresenta-se como constituição de uma universalidade concreta, em que as relações de natureza sócio-espaciais se expressam como mediação multi-escalar. Esta mediação opera aproximações econômicas no território, engendrando novas dinâmicas espaciais. Isto significa que a realidade concreta contém em seu movimento elementos estruturadores da totalidade-mundo, cujo fenômeno
histórico chamamos de globalização.
Milton Santos, considera o espaço como uma instância da sociedade, ao mesmo titulo que a instância econômica e a instância cultural ideológica. Isso significa que ele contem e é contido pelas demais instâncias.A economia está no espaço assim como o espaço está na economia.o mesmo se dá com o político institucional e com o cultural ideológico.Isso quer dizer que a essência do espaço é social. Cada fração da natureza abriga uma fração da sociedade.O espaço deve ser considerado como uma totalidade a exemplo da própria natureza que lhe da vida.
Os elementos do espaço segundo o autor seriam os seguintes: o homem, as firmas, as instituições o meio ecológico e as infra estruturas .Cada elemento que compõe o espaço exercem funções entrelaçadas, intercambiáveis, e redutíveis uns aos outros. Em cada momento histórico esses elementos mudam seus papéis e suas posições no sistema temporal no sistema espacial, sendo que, a cada momento , o valor de cada qual deve ser tomado da sua relação com os demais elementos e como um todo.
O conceito de espaço como um conjunto indissociável, solidário, mas também contraditório, de sistemas de objetos e sistemas de ações traz como perspectiva teórico metodológica a compreensão de que objeto e ação compõem um par dialético fundamental nas transformações contemporâneas. As mudanças processam se por objetos técnicos – sistema de objetos – que, à luz de comandos – sistema de ações – permitem a manifestação e recomposição do conteúdo do espaço, um conteúdo político e técnico revelador do movimento geral da sociedade e do mundo, sendo o espaço uma categoria síntese que contém a
sociedade em movimento, ou seja, uma categoria analítica da totalidade .
Neste sentido o espaço esta em evolução permanente, resultando da ação de fatores internos e externos formados por elementos homólogos e não homólogos, nas estruturas demográficas, econômicas e financeiras . Todos esses processos, inserem se na dimensão temporal do espaço numa escala muito ampla, ou seja, numa escala mundial. Segundo o autor a noção de espaço é assim inseparável da idéia de sistema de tempo. A cada momento a história local, regional, nacional, ou mundial a ação das diversas variáveis depende das condições do correspondente sistema temporal.
Em cada período e sistema procura impor a modernização e mudanças de métodos criando novas atividades e novas possibilidades, porém isso significa a adaptação das atividades já existentes a um novo grau de modernismo. Assim todas as variáveis modernas não são recebidas e as variáveis recebidas não são necessariamente da mesma geração. Santos ressalta que o espaço sempre foi o local de produções. A idéia de produção supõe a idéia de lugar. Não há produção se não há o lugar e vice- versa. Espaços de produção, de circulação, de distribuição e de consumo, são elementos indissociáveis do espaço, como realidade uma e total. Atribui se a cada um dos seus movimentos um valor diferente a cada fração do território.
Na discussão acerca do novo conceito de região, esta é vista como lócus de determinadas funções da sociedade total em um determinado momento. Segundo Santos a cada contexto histórico,pois , o que se convencionou a chamar de região, isto é , um subespaço do espaço total, aparece como melhor lugar para a realização de um certo número de atividades . A região é assim definida como o resultado das possibilidades ligadas a uma certa presença de capitais fixos exercendo determinado papel ou determinadas funções técnicas e das condições de seu funcionamento econômico ,dadas as redes de relações políticas geográficas e econômicas. Desta forma a região se configura como espaço rural e espaço urbano. O que diferencia o espaço rural agrícola do espaço urbano, é a quantidade, a multidimensão das relações mantidas sobre o espaço respectivo.
Santos coloca ainda a cerca do espaço, que o território é formado por frações funcionais diversas onde sua funcionalidade depende de demanda a vários níveis desde o local até o mundial. A articulação entre diversas frações do território opera através dos fluxos que são criados em função das atividades da população e da herança espacial. Salienta ainda que a unidade espacial do trabalho é a região produtiva , pois, esta vai exigir o reconhecimento de suas relações internas e externas mais importantes ,sendo que estas relações vistas de forma interdependentes. Nestas relações o processo produtivo, visto em sua evolução, é que se dará a gama de atividades que se deseja captar: com a natureza e o passado, entre classes sociais , com áreas externas; tudo isso presidido localmente pelo processo imediato de produção, isto é, a produção de diferentes produtos em diferentes momentos históricos; diferente do que se daria em outro lugar ou área . Somente assim poderá ser reconstituída a evolução de cada área e suas relações com outras áreas.
Concluindo, a compreensão metodológica da geografia, faz parte da apreensão da realidade, porém não basta para o geógrafo limitar à visão diferenciada do homem na paisagem. É importante ultrapassar a aparência para se chegar ao significado, pois a percepção não é o conhecimento e sim um dos caminhos para se chegar a este. Neste sentido, o esforço de Santos concentrou-se no método coerente para entender o objeto de estudo da geografia, método que acompanhe o movimento das transformações e mudanças espaciais, não compreendido somente pela emergência quantitativa e sim qualitativa, que busque no cerne do movimento a vida, o cotidiano, a identidade, as especificidades dos lugares, que numa escala global possibilite visualizar as complexidades do mundo real.

Biografia.
SANTOS, Milton. Espaço e Método. São Paulo: Nobel, 1997.

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