Universidade Federal de Goiás – UFG
Campus de Jataí
Programa de Pós-Graduação
Mestrado em Geografia
Mestranda Iolanda Martins da Silva
SILVA, Iolanda Martins
Mestranda em Geografia
UFG/Jataí campus Riachuelo
Reflexão e compreensão a cerca da formação do pensamento geográfico: história da geografia.
A compreensão do pensamento geográfico através do tempo histórico, passa pela análise do pensamento filosófico. A Geografia tem suas origens no conhecimento global da antiguidade que buscava explicar o mundo e a existência do homem no mesmo. Assim, no intuito de sistematizar as leituras a respeito do pensamento geográfico discutiremos em um breve espaço, a visão segundo Paul Claval, dos aspectos teóricos metodológicos à respeito do objeto de estudo bem como a evolução histórica do pensamento geográfico.
Para Paul Claval a historicização da geografia evolui da geografia tradicional descritiva clássica do positivismo e do neopositivismo , para uma geografia preocupada com uma abordagem humanista e que vislumbre as dinâmicas sociais em suas várias matizes. Porém foi a partir da metade do século XX que se fez sentir mais fortemente as necessidades de uma geografia que desse conta dos movimentos de renovação e romper com a perspectiva tradicional na busca para si só de novas linguagens, novas propostas, novos caminhos
Após a Segunda Guerra Mundial, seus participantes sonharam em construir uma sociedade mais justa e mais próspera do que no início do século, onde toda a sociedade deve beneficiar se do progresso.Esses homem de ação pedem ferramentas eficazes de planificação econômica e espacial: têm necessidades de uma ciência,a interpretar evoluções complexas, não depois de terem acontecido os fatos, mas que mostrem em que sentido evoluem os sistemas das relações sociais e os fenômenos geográficos.Deve também prever todas as incidências das medidas destinadas a fazer frente, ou acelerar segundo o caso, as transformações .
A idéia de que a ciência se contenta em seguir a realidade é abandonada e é valorizada o papel da hipótese e da imaginação dos objetos de estudo científicos. O cientista aperfeiçoa o raciocínio para interpretar a realidade: esta construção teórica é tida como verdade enquanto não for contradita pela experiência .Uma hipótese científica só é aceitável se puder ser submetida a experimentação e através desta, não identificada como falsa, lembra Karl Pooper.
Este novo método, censura a geografia clássica , e juntamente com seus adeptos encontra um nome . A expressão “nova geografia” já utilizada em algumas publicações ( Claval,1964 ) é popularizada e dá uma interpretação neopositivista sistemática ao longo dos últimos anos da década de 60 . O balanço da nova geografia é positivo sob muitos pontos de vista. A geografia deixa de ser considerada uma ciência natural pois passa a tratar de realidades sociais , culturais ou econômicas. Aproxima se das ciências sociais.
Estas mudanças se dão através, principalmente, do desenvolvimento tecnológico e a aptidão para novas ferramentas de uso geográfico. Muito se pensou sobre o conhecimento de geografia articulado ao movimentos populares e dos movimentos ambientalistas e ecológicos ocorridos na década de sessenta. Difundiu-se a necessidade da relevância social e expandiram-se propostas de análise visando substituir as normas metodológicas do positivismo da geografia física tradicional .
A transposição e a dinâmica da sociedade em suas várias escalas, ocorridos na década de sessenta, difundiu-se a necessidade da relevância social e expandiram-se propostas de análise visando substituir as normas metodológicas do neopositivismo da geografia, representadas pelo materialismo dialético, fenomenologia e abordagem humanística. Tais proposições repercutiram em muitos estudos sobre os acontecimentos sociais e econômicos, no campo das questões relacionadas com a Geografia humana.
Com isso, o conhecimento científico apresentava nova dimensão a respeito da estrutura, funcionamento e dinâmica dos sistemas e à compreensão de como o mundo funciona.
Segundo Claval, “as transformações que a geografia conhece desde o início da década de 80 refletem a amplitude das mutações que afetam o mundo: o crescimento das ameaças que pesam sobre o ambiente, a mundialização da economia, a metropolização acelerada, o desmoronamento do bloco socialista, a contestação das filosofias políticas de origem ocidental”, desenha um novo perfil para o pensamento geográfico.
Assim a geografia explicativa busca compreender como os homens estruturam o espaço para permitir às sociedades funcionar eficazmente e de forma harmoniosa.
No mundo de hoje, esta etapa deve ser precedida de uma investigação sobre a maneira como os homens concebem a vida e a natureza ; a sociedade e as suas finalidades . A abordagem humanística , ainda segundo Claval é indispensável para perceber as diferentes dinâmicas em curso nas sociedades que partilham a terra..Atenta à diversidade dos sonhos e aspirações humanas , a geografia torna se essencial como introdução a todas as ciências do homem. O universo pós moderno acabou com o fetichismo do tempo. Concede ao espaço uma atenção que lhe deveria ter sido dada há muito tempo.
Concluindo, a geografia vem se ressignificando em cada contexto histórico pelo qual perpassou a humanidade.Ela não se fez de repente em sua forma científica e racional de saber. Seu desenvolvimento seguiu um caminho complexo : as abordagens que implicaram sucessivamente e a maneira de as combinar não parou de mudar...todas as matizes da humanidade sofreram as transformações e viram a imagem do mundo atual se configurar .. A Terra mantém com as sociedades humanas relações essenciais ..tomam formas diferentes consoantes as culturas e traduzem se em paisagens, modos de vida que os geógrafos se esforçam para decifrar. A geografia segundo este prisma fornece elementos de cultura em seus aspectos diversos, para que os homens se façam e se tornem autônomos” cidadãos do mundo,” em especial os homens que projetam e constroem sua história e a história da humanidade.
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